segunda-feira, outubro 31, 2005

incidental recomenda...

... American Psycho de Bret Easton Ellis.

"The first novel to come along in years that takes on deep and Dostoyevskian themes... [Ellis] is showing older authors where the hands have come to on the clock." [Norman Mailer, Vanity Fair]

Embora datada de 1991 (foi editado recentemente o novíssimo Luna Park) esta obra traduz um mundo possível, um olhar negro que é cada vez mais actual. A negação da paz, a ambição de tudo o que seja inatingível, o prazer pelo sofrimento.
http://www.randomhouse.com/kvpa/eastonellis/

incidental discorda...

... o mundo é, quase sempre, muito engraçado.

a liberdade para discutir: 3ª e ultima parte

incidental acredita que só a partir da discussão séria dos problemas se podem atingir resultados que representem aquilo em que a maioria efectivamente acredita.
No entanto, incidental não considera democrático (mas considera sintomático das pretensões de uma certa esquerda) que se salte de palco em palco (qual deles mais apelativo?) até se obterem os resultados que se consideram melhores (seja por que razão for).
Qual a seriedade de fazer parte de uma estutura de decisão e, quando as decisões aí tomadas não são do nosso agrado, ir decidir para outro lado, com aqueles que nos são próximos?

quinta-feira, outubro 27, 2005

a liberdade para discutir: 2ª parte

incidental considera que, vivendo em sociedade e acreditando no modelo de governação vigente como legítimo, é errado ignorar os locais próprios para a tomada de decisões.
No caso referido no post anterior isto aplica-se, uma vez que não se podem fazer ignorar discussões e decisões tomadas em sede de assembleias gerais verdadeiramente representativas (pois são fruto de eleições dos alunos).
Em vez disso, estabelecem-se estruturas paralelas pseudo-representativas que representam, , a ambição interventivo-politico-partidária de um grupo de pessoas que esperam conseguir com esta iniciativa aquilo que não conseguiram nos outros locais.
Por isso, incidental questiona-se se o verdadeiro motor destas acções não será uma certa necessidade de protagonismo e afirmação pessoal, mais uma vez subvertendo qualquer sentido de serviço público.

quarta-feira, outubro 26, 2005

a liberdade para discutir

É interessante constatar como os movimentos mais defensores da liberdade (num sentido abstracto) são muitas vezes os primeiros a subverter este princípio.
A propósito das medidas de contestação a serem tomadas pelos estudantes em relação ao ensino superior, alguns estudantes do Porto - dirigentes de organizações estudantis - decidiram "passar por cima" de decisões tomadas nos orgãos eleitos - e onde tem poder participativo - e recorrer a "formas de luta" à medida de alguns ideais politico-partidários - os seus.
incidental considera que, se de cada vez que se discorda de uma decisão tomada nos locais próprios se cria uma plataforma de discussão nova - só para ter um determinado resultado - o desvirtuar da discussão séria dos problemas do ensino superior é inequívoco e irreversível.

segunda-feira, outubro 24, 2005

design inteligente?

incidental é tudo menos dogmático mas não consegue entender umas das últimas polémicas no meio académico dos EUA.
A teoria do design inteligente defende que "the universe is too complex to be the result of evolution and natural selection, proposing that a higher power is responsible" - http://www.nytimes.com/2005/10/22/nyregion/22cornell.html.
o que inicidental não entende é como é que o meio académico consegue escolher a saída mais fácil, atribuindo ao sobrenatural a responsabilidade da origem da vida.
in god we trust?

domingo, outubro 23, 2005

presidenciais (capítulo primeiro)

Considerando a vitória de Cavaco Silva (à primeira volta?!) uma inevitabilidade, a questão obrigatória é a de saber se é este o PR que o país precisa.
Mas antes, algumas notas sobre os outros:
  1. empurrado a contragosto pelo socialismo-soarista, José Sócrates - com o seu socialismo-armani - pode ter corrido um risco demasiado grande, uma vez que o outrora animal político e patriarca da nação parece não ter o descernimento suficente para perceber que é preciso mais do que uma campanha no mínimo desastrada para vencer estas eleições;
  2. nessa linha de raciocínio a aposta em Manuel Alegre teria sido muito mais acertada pois, para Alegre, qualquer resultado será um bom resultado e Sócrates poderia argumentar com uma candidatura de valores superiores ao simplório "Ser PR para Cavaco não o ser";
  3. quanto a Francisco Louçã parece quere um sistema presidencialista puro, só assim se pode compreender uma candidatura com objectivos como "reformar os sistemas de protecção social e de justiça", que são pelo menos dados concretos, ao contrário dos "levantamento cultural" do país ou o "romper com o consenso mole" referidos pelo candidato.

Na verdade, José Sócrates poderá muito bem ser o grande vencedor com a presença de Cavaco Silva na Presidência. O Professor provou, desde já, que amadureceu politicamente (ao contrário do clã Soares?!) conduzindo a candidatura no seu timing, e dando já sinais ao eleitorado de centro que não vai - de nenhuma forma - "vingar" a dissolução de Sampaio.

Ao mesmo tempo, mostrou a independência do PSD (que não é seu ao contrário do PS de Soares) numa apresentação de candidatura estudada - como deve ser uma apresentação de um candidato a PR.

incidental aposta até que Cavaco irá ajudar Socrates com a governação (o que é substancialmente diferente de ajudar na governação) - pense-se no impacto que o perfil de Cavaco poderá ter no apoio às difíceis e necessárias reformas que o Governo terá que levar a cabo, muito diferente do espírito errante de Soares (que muitas vezes provoca suores frios na máquina socialista)

Cavaco Silva pode, assim, ser o melhor PR para este governo, desde que o seu espírito executivo não o transforme no contra-poder que o aparelho PS deseja.

quinta-feira, outubro 20, 2005

incidental apoia

Depois dos acontecimentos de hoje, incidental pode anunciar com agrado que já tem o seu candidato à Presidência da República.
incidental apoia, para os próximos dois mandatos, José Mourinho.

quarta-feira, outubro 19, 2005

incidental recomenda...


... damien rice - http://www.damienrice.com/
incidental julga ser suficiente dizer que é este o autor do tema de abertura de closer.
Songwriterly, widescreen tunes of sour love and near-death, but with a musical twist of strings, occasional shouting and chanting. Mesmerising. ****’ [Q magazine - UK]
A crítica ao album aplica-se ao filme, um must see absoluto, um olhar cru sobre a realidade da paixão e do abandono que incidental não se cansa de rever - na tela e no real world.
Hello, stranger

um mundo pequeno (e superficial?)

incidental nunca entendeu completamente a maciça adesão a alguns sites em que se pode conhecer o e-profile do "amigo" do "amigo" do "amigo", como hi5 ou friendster. Por um lado, esta proliferação de sites pode dever-se à dificuldade cada vez maior dos jovens adultos em encarar as relações com os outros, escudando-se em universos mais ou menos de faz de conta e em teias de novos "amigos" a cada dia. Ou então, será perfeitamente inócuo e apenas mais um meio de comunicação.
No entanto, recentemente surgiu um sucedâneo destes sites que incidental considera mais interessante. aSmallWorld - http://www.asmallworld.org/ - é uma comunidade semelhante às referidas, mas à qual só se pode aceder por convite daqueles que já são membros.
Embora os clubes privados não sejam algo novo, esta comunidade distingue-se por se basear na troca de informação on-line entre elementos de uma elite (leia-se celebridades, milionários, aristocracia, ...), com questões que variam entre se alguém tem um pequeno jacto disponível a partir de Ibiza, qual o restaurante que é um must em NY ou qual a melhor loja para comprar charutos cubanos em Paris.
Em relação a todas estas comunidades incidental pergunta: Mundo pequeno e superficial?

segunda-feira, outubro 17, 2005

incidental recomenda...

... political compass - http://www.politicalcompass.org/
neste site pode descobrir-se o verdadeiro eu político de cada um - esquerda ou direita - não é só essa a questão.
Em linhas gerais depois de uma série de perguntas o teste coloca o testado num sistema de eixos (como o sistema x/y da matemática) em que o x corresponde a direita/esquerda e o y a autoritarismo/"libertarismo", ou se se quiser - comunismo vs neo-liberalismo e fascismo vs anarquia.
Ao mesmo tempo indica que em que quadrantes se colocam diversos líderes históricos como o Papa Bento XVI, Saddam Hussein ou Tony Blair.
Para provar a óbvia falibilidade deste teste, incidental pode anunciar que ficou colocado aproximadamente ao mesmo nível que o Dalai Lama - grande, grande sorriso...
Brilliant site intending to provide more sophisticated analysis than mere "left-right"......Fascinating. [Q magazine - UK]

domingo, outubro 16, 2005

o país cocktail

incidental propõe uma nova expressão para as campanhas do turismo português: Portugal - o seu país cocktail...
[pelo menos é mais criativo que usar exactamente o mesmo slogan que turismo de nuestros hermanos - Portugal marca - Espanha marca]
cocktail 1: afinal a separação dos poderes político e judicial é um mito.
Jorge Sampaio anunciou que tinha conversado com Hugo Chávez para, de alguma forma, desbloquear a situação do piloto português detido. Evidentemente, as pressões diplomáticas devem ser utilizadas neste caso para que o julgamento se processe o mais rapidamente possível, mas incidental pensa que o tornar público desta "cunha" não traz qualquer benefício nem credibiliza os defensores da moralização do "sistema".
cocktail 2: quem estivesse desatento às televisões no domingo passado poderia acreditar que as eleições foram legislativas.
Segundo um n.º significativo de fazedores de opinião o PS perdeu as eleições em toda a linha - incidental concorda.
Perdeu porque, com reformas ou sem elas há contestação social e o "povo" está descontente com o governo - incidental discorda porque:
  1. neste momento, qualquer governo que mexa - mal ou bem - com interesses corporativistas será objecto de crítica, seja ele mais à esquerda ou à direita. Parece que o conceito de sacrifício só e válido para os outros, isto é, há anticorpos naturais a qualquer governação pro-activa, qualquer que seja a cor partidária;
  2. incidental esboça um sorriso sempre que alguém sugere que Carrilho ou Assis poderiam ganhar... Com candidatos assim não há partido que aguente;

Afinal está tudo misturado.

sexta-feira, outubro 14, 2005

os candidatos, os partidos e as lutas por causas

incidental entende e respeita a necessidade crescente de mediatização no processo de transmissão do ideário de um candidato/partido. Afinal, a sociedade em que vivemos afunila cada vez mais o conhecimento do que nos rodeia para uma esfera muito pessoal de interesses.
o que incidental não entende é a necessidade - nomeadamente de uma certa esquerda - de defender a luta por causas como motor da sua acção intelectual e política.
incidental entende que Portugal precisa de um plano de limitação de danos - agora - e de um projecto de fundo, com objectivos económicos e sociais concretos, prazos para os cumprir e gente capaz para os concretizar.
incidental interroga-se se a luta - por vezes desesperada - por medidas avulsas e de contexto mediático (exemplos: uniões de facto; vencimentos dos cargos públicos; ...) não é mais do que um método propagandístico que funciona como uma fuga para a frente dos problemas de fundo do país e, pior do que isso, como um meio de mediatização fácil e desonesto.

quinta-feira, outubro 13, 2005

incidental recomenda...


... jackson pollock
Para quem ainda não conhece (ou conhece mal) biografia e obras do maior pintor americano do século XX.
http://www.nga.gov/feature/pollock/

"On the floor I am more at ease, I feel nearer, more a part of the painting, since this way I can walk around in it, work from the four sides and be literally `in' the painting."
Jackson Pollock, 1947.

quarta-feira, outubro 12, 2005

candidatos bandidos: incidental clarifica e reafirma

Declarações de Ana Cristina Ribeiro (Presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, eleita pelo BE) à rádio renascença:
"O facto de ser constituída arguida nada tem a ver com as funções de presidente de Câmara, nem com a gestão e funcionamento da Câmara. Tem a ver apenas com o facto de um munícipe de Marinhais, a quem a Câmara encerrou o seu bar, no Verão passado, por vingança pessoal e revanchismo, foi ao processo com afirmações de depoimentos falsos"
[site rádio renascença - 07/10/2005]
As questões que incidental levanta são:
  1. ninguém está livre de ser constituido arguido, pelo que fez ou pelo que não fez na sua vida privada ou no exercício de cargos públicos;
  2. o facto de ser constituido não prova per si, obviamente, nada;
  3. não há arguidos de primeira e de segunda - isto é: inocente até prova em contrário;
  4. o facto de alguém com cobertura mediática classificar arguidos como "bandidos" contribui, SÓ, para a descredibilização da descredibilizada Política.

incidental até já formulou uma teoria - com este estado de coisas e de comportamentos, o "povo" acaba por votar nos "menos maus", ou como incidental ouviu muitas vezes ao longo da campanha: "ELES SÃO TODOS LADRÕES, MAS ESTE ATÉ VAI FAZENDO QUALQUER COISA PELA GENTE"

terça-feira, outubro 11, 2005

candidatos bandidos

bandido: malfeitor que anda fugido à justiça e vive da pilhagem; assassino, bandoleiro; por ext. pessoa com sentimentos ruins. (Dicionário Universal da Língua Portuguesa)
incidental ainda está com um nó no estômago depois de ouvir Miguel Portas dizer que a gravidade de um caso de segredo de justiça nada tem a ver com os casos de corrupção que por aí pululam. Isto a propósito de pretensas ilegalidades da única câmara ganha pelo bloco de esquerda.
incidental não vai dizer que nas câmaras geridas do bloco a taxa de pretensas irregularidades é de 100% porque isso seria no mínimo pouco sério, embora uma constatação curiosa.

segunda-feira, outubro 10, 2005

a frase do pós-campanha

incidental já votou, e o seu voto para melhor frase desta campanha vai para Manuel Maria Carrilho e "Obrigado Bárbara".

domingo, outubro 09, 2005

os políticos a sério

incidental não percebe - então se há políticos que não merecem ganhar eleições - e todos sabemos quais são os concelhos malditos - então porque os deixamos concorrer, porque não impedir todo e qualquer suspeito de não pagar os impostos de chegar até à urna, fazer "citizens arrests" dos elementos indesejados. Já agora mandar a extrema direita para uma cave escura.
A democracia terá a sua força pela sua capacidade em fazer cumprir as leis por si determinadas e por acreditar no julgamento daqueles que permitem que ela exista, não se pode reger por modas, pelas "certezas que ele/ela são corruptos", pelo "tem cara de pedófilo".
A elite intelectual não acredita no julgamento dos candidatos pelo "povo"? O "povo" nunca neles acreditou.

sexta-feira, outubro 07, 2005

incidental recomenda...

... alice
de Marco Martins, vencedor do prémio Regards Jeunes para Melhor Filme na Quinzena dos Realizadores em Cannes.
Se a arte se mede pela capacidade de despertar emoções, então este é um filme enorme.
Feito de murros no estômago e uma interpretação soberba de Nuno Lopes, uma obra a não perder.

quinta-feira, outubro 06, 2005

quase, quase

incidental está quase, quase - brevemente novidades!
incidental conta com a participação dos ainda inexistentes leitores - quer lendo, quer comentando. vamos ver o que isto dá.